| |

A profa. e coordenadora do Movimento Educacionista
da Bahia, Vera Veronesi e o senador Cristovam Buarque |
Uma revolução na educação
Educacionismo é uma nova ideologia, criada pelo senador Cristovam
Buarque. Consiste basicamente em colocar a educação como
elemento central da transformação social, simbolizada em
escola para todos e igual para ricos e pobres.
O educacionista não tem partido político. Tem causa. No
lugar de "fábrica para os trabalhadores", nosso slogan
é "escola igual para todos". A revolução
hoje deve ser feita para assegurar o pleno desenvolvimento da capacidade
de cada um, e permitir que todos sejam remunerados de acordo com essa
capacidade. As tendências de hoje são diferentes daquelas
imaginadas por Marx.
O primeiro passo, de responsabilidade do educacionista, é a nacionalização
da educação, com a aprovação de uma mudança
na Constituição que preveja essa responsabilidade para os
municípios e o projeto de lei de Responsabilidade Educacional,
que define metas e padrões para o país inteiro, respeitadas
as diferenças regionais, descentralizando o gerenciamento para
as prefeituras.
O segundo passo, que é de responsabilidade dos educadores, é
transformar a escola atual numa escola de qualidade, com professores contratados
por um concurso público nacional e muito bem remunerados, com piso
salarial federal alto, padrão de salário, de formação
e de conteúdo. Escolas com equipamentos modernos e edificações
bonitas e de qualidade.
Segundo as estatísticas, gasta-se R$ 61 bilhões em educação
no Brasil, mas desse índice o governo federal só gasta R$
7 bilhões. O resto fica por conta das prefeituras. Sem falar nas
desigualdades. Existem cidades com R$ 20 mil de renda per capita enquanto
outras tem menos de R$ 600. Como pode esse prefeito trabalhar para ter
escolas de igual qualidade?
Semana passada foi divulgado o resultado do Enem, que apresenta o retrato
atual da educaççao no país. Dos 20 estabelecimentos
com melhores resultados, 15 são particulares e os 5 públicos
são federais. Nenhum colégio estadual do país ficou
entre os 20 com melhor avaliação. Participaram do Enem,
no ano passado, um milhão de estudantes, em 18.798 escolas públicas
e privadas. Lamentavelmente, ainda temos, hoje, um milhão e meio
de crianças no Brasil que ainda não estão na escola
e das que já estão, quase 40 milhões, só um
terço atingem o ensino médio.
Quando o senador Cristovam Buarque assumiu o Ministério da Educação
tentou dividi-lo em dois, porque o MEC cuida essencialmente das universidades
e muito pouco da educação básica. Fez várias
propostas, dentre as quais a criação do Ministério
da Educação Básica. Foi criada, em sua gestão,
a Secretaria da Erradicação do Analfabetismo, quando conseguiu,
logo no 1º ano, colocar 3 milhões e duzentos alunos
na sala de aula e 5 milhões no 2º ano. Em 4 anos, teríamos
abolido o analfabetismo, se o governo Lula não tivesse paralisado
o programa.
O Educacionismo prega uma verdadeira revolução na educação
mas não é um projeto para um governo ou um partido ou um
presidente. Demanda um tempo maior que um mandato. Nossa tarefa imediata
é convencer os omissos e acomodados, os descontentes, apáticos,
mas ainda não corrompidos pelo conservadorismo ou pelos cargos,
de que vale a pena lutar por uma causa e essa causa existe.
Criar uma consciência nacional, convencer os pobres de que é
possível seus filhos terem uma escola equivalente à dos
ricos e convencer os ricos de que essa equivalência é necessária.
Autora: Maria Rachel Coelho Pereira
Fonte: Webartigos.com | Textos e artigos
gratuitos, conteúdo livre para reprodução.
|