O professor Roberto Figueira Santos, 78 anos,
foi nas décadas de 1970 e 1980 um dos mais destacados
políticos baianos, mesmo caminhando, de certa maneira,
na contramão da corrente hegemônica do poder local,
liderada pelo senador Antonio Carlos Magalhães. Governador
do estado de 1975 a 1979, ele inclui em sua biografia política
stricto sensu também um mandato de deputado federal (1996/1999),
além dos cargos de presidente do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
(1985/1986) e de ministro da Saúde (1986/1987), ambos
exercidos durante o governo José Sarney, o primeiro do
Brasil pós-ditadura militar. Tomado o termo política
em sentido lato, essa biografia abarca numerosos outros cargos,
a começar pelo de reitor da Universidade Federal da Bahia
(UFBA), de 1967 a 1971. E inclina-se, sem sombra de dúvida,
para os campos da educação superior e da ciência
e tecnologia. Aliás, no momento ele é membro do
Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, com mandato
até o próximo ano.
Pesquisador e docente da área médica em sua origem
profissional, Roberto Santos é, em outras palavras, quando
não ator nesta cena, pelo menos um observador privilegiado
da política científica e tecnológica do
país desde os longínquos anos 1950. E seu olhar
para o país, crítico, animado por vívidas
memórias, parte de uma área nem central nem a
mais periférica na produção contemporânea
de conhecimento científico nacional - a Bahia ocupa o
nono lugar no ranking da produção brasileira por
estado, empatada com o Ceará, segundo dados de 2004 do
Institute for Scientific Information (ISI)/Web of Science, baseados
na publicação de artigos científicos em
periódicos indexados no período de 1998 a 2002.
Filho do professor Edgard Rêgo dos Santos, o líder
da organização da UFBA em 1946 e o grande responsável
pela inclusão de unidades autônomas e prestigiadas
de dança, de teatro e de música na estrutura da
universidade, casado há 41 anos com Maria Amélia,
pai de seis filhos e avô de seis netos.
Autor: Fernando Paixão