Nasce a 13 de outubro de 1903, natural de Feira
de Santana, Bahia. Estudou com preceptores em sua própria
casa, como era o costume daquela época entre as famílias
abastadas. Estudou no Colégio Nossa Senhora de Lourdes,
e na Escola Complementar da prof.a. Estefânia Mena em
sua cidade natal. Em Salvador, cursa o pedagógico no
Educandário dos Perdões, atual Educandário
Sagrado Coração de Jesus. Especializou-se no Rio
de Janeiro, na Bahia e na Europa, em filosofia, literatura geral,
brasileira e francesa, ciências sociais e canto.
Edith Mendes era uma mulher que primava incansavelmente pelo
aperfeiçoamento da educação. A cultura
estava acima de qualquer outro objetivo. Era extremamente culta,
tocava piano, cantava e falava fluentemente o francês.
Viajava constantemente para o exterior, conheceu diversos países
da Europa, onde fazia turismo cultural visitando as catedrais,
museus, castelos, teatros, universidades, etc.
Como feminista, trabalhou intensamente em prol da emancipação
da mulher e foi das que mais atuou na luta pelo sufrágio
feminino no estado da Bahia. Foi presidente vitalícia
do Órgão que dirigiu a luta sufragista das mulheres
na Bahia, a Federação Baiana pelo Progresso Feminino,
fundado a 9 de abril de 1931. Integrou-se e se entregou à
causa feminista, ao lado de Bertha Lutz, tendo ilustrado sua
atuação a luta contra as restrições
ao voto feminino no anteprojeto do Código eleitoral,
e contra o projeto de lei que vinculava o cargo público
à mulher que tivesse, como o homem, a indispensável
carteira de reservista.
Na carreira política foi candidata a deputada federal,
em 1934, sob a legenda “A Bahia ainda é a Bahia”,
obtendo mais de dez mil votos, ficando, entretanto, como suplente.
Em 1946, como candidata a deputada estadual, lutou pela solução
de problemas da saúde pública, da educação
popular, da fome, bem como dos incentivos ao trabalhador, conforme
plataforma sob o título “conterrâneos”.
Edith foi a mulher que ocupou o posto mais elevado no Instituto
Geográfico e Histórico da Bahia, onde foi vice-presidente
e oradora oficial, entre outras atribuições. Esteve
na Presidência durante 9 meses de 31/03 a 31/12/1969,
completando o mandato do seu antecessor o prof. Francisco Peixoto
de Magalhães Neto, por ser a 1ª vice-presidente.
A intensa e produtiva atuação de Edith Mendes
da Gama e Abreu nos âmbitos literário e político,
levam-na a candidatar-se, a uma cadeira na Academia de Letras
da Bahia. A acadêmica consegue sair-se vitoriosa derrotando
seu concorrente Eduardo Tourinho. Recebida pelo acadêmico
Carlos Ribeiro, toma posse na cadeira n. 37, em 9 de novembro
de 1938, tornando-se a primeira mulher baiana a inserir seu
nome entre os “imortais”, permanecendo naquela instituição
até janeiro de 1982, ano de sua morte.
Edith escolheu a carreira profissional que mais se aproximou
da atividade cultural — a educação. Exerceu
durante muito tempo, e nela se aposentou, a função
de Inspetora do Ensino Secundário do Ministério
de Educação e Cultura, junto a diversos ginásios
da capital. Foi como professora catedrática e fundadora
da Faculdade de Filosofia da Bahia que ocupou sua posição
mais significativa na carreira docente. Naquela instituição
ocupou a cadeira de Didática Geral e Especial.
Educadora, escritora e feminista, natural de Feira de Santana
(BA). Como sufragista, presidiu a Federação Baiana
pelo Progresso Feminino. Publicou várias obras ingressando,
em 1938, na Academia de Letras da Bahia e posteriormente no
Instituto Histórico baiano. Na área assistencial
presidiu a Sociedade Baiana de Combate a Lepra e a Pró-Mater.
Como educadora ajudou a fundar a Faculdade de Filosofia da Bahia,
onde também foi catedrática em 1942.
Edith faleceu no dia 20 de janeiro de 1982, às 11:30
em sua residência na Vitória.
Autora:Maria da Conceição
Pinheiro Araújo