Nasceu a 04 de maio de 1925 na cidade de Nazaré,
Bahia. Bibliotecária, professora.Fez os seus primeiros
estudos na sua cidade natal, diplomou-se em professora primária
em 1943. Foi nomeada por concurso para regente de classe em
1944, para a Escola Marquês de Abrantes em Salvador. Em
1958, diplomou-se em Bibliotecária Documentalista pela
Escola de Biblioteconomia e Documentação da Universidade
da Bahia.
Com a morte de Monteiro Lobato, em 1948, desejou
homenageá-lo, pensou em uma “casa de livros”
aberta para todas as crianças baianas. Começa,
então, a sua luta, a grande missão nos idos de
1949 a 50 da criação da Biblioteca Infantil Monteiro
Lobato.
A instituição biblioteca não
era compreendida no nível de importância igual
à escola. Mas em 1949 Denise participou de um curso patrocinado
pela Secretaria da Educação com Anísio
Teixeira, através do convênio com a Escola de Biblioteconomia.
Planejado para preparar professores primários que atuariam
como “encarregados de bibliotecas escolares”, o
curso foi um sucesso. Conscientizada e reunindo mais argumento
para o seu desempenho e luta, visita São Paulo com objetivo
de conhecer a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato daquela cidade.
De volta a Salvador, Denise continua procurando apoio e recursos
para a sua biblioteca. Sem esmorecer à falta de disponibilidades
financeiras, alegada por quase todos, mesmo reconhecendo a idéia
maravilhosa, não se dispunham a patrociná-la.
Num dos seus devaneios, ela teve uma idéia inusitada:
enviou a todas as escolas públicas do estado um pedido
de contribuição às crianças, para
a biblioteca. Um dia, as respostas vieram. Foram centenas de
listas de crianças com doações de 1 tostão
que emocionaram Denise. O vereador Álvaro Franca da Rocha
conseguiu convencer o prefeito Wanderley Pinho a doar o chalé,
no jardim de Nazaré para a instalação da
biblioteca.
Em 18 de abril de 1950, fundou e organizou
a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato (BIML). O idealismo de
Denise Tavares se concretizava e o seu sonho se tornava realidade,
atrair o interesse das crianças para os bons livros.
Respeitada pelo idealismo e pelos bons frutos que produziu,
tornando-se modelo para outros centros. Realizou um trabalho
dos mais importantes de biblioteconomia no Norte e Nordeste,
com repercussão nacional e internacional, criou uma rede
de bibliotecas infantis e buscava aprimorar cada vez mais o
seu trabalho, acompanhando a evolução do mundo
contemporâneo, conhecendo novas técnicas de organização
e atendimento aos seus jovens leitores. Esse período
da vida cultural baiana não permitia o desenvolvimento
de idéias, ações e iniciativas inovadoras.
Idealistas eram vistos com pessimismo, descrédito. Especialmente
às mulheres, não se permitia gestos ousados, corajosos.
Até 1953 a BIML somente funcionou com a Seção
de Leitura, porém, com a ajuda do governo foi sofrendo
reformas, ampliando, o aumento da frequência exigia maior
espaço. As atividades que ali desenvolveu tornaram a
casa pequena. Crescia o número de crianças que
frequentava a biblioteca e urgia um prédio maior e em
condições mais adequadas à finalidade do
estabelecimento. A luta continuava, Denise estava sempre desejando
o melhor para as crianças e os jovens baianos e, graças
a sua força de vontade, e o seu amor, dedicação
e espírito de luta, em 1967 ela conseguiu inaugurar uma
sede ampla dentro dos moldes desejados. Lutou muito para consegui-lo,
mas acabou inaugurando-o no governo Lomanto Júnior, quando
o seu idealismo encontrou a compreensão dos poderes públicos.
Daí por diante, a biblioteca floresceu.
Também sob sua orientação e direção,
foram instaladas nove bibliotecas sucursais no interior do estado,
e duas em bairros de Salvador. No campo educacional foi membro
atuante em vários congressos, nos quais apresentou diversas
sugestões a favor da classe. Escreveu para diversos jornais
do estado. Foi redatora chefe do jornal da classe profissional
e responsável pela coluna feminina do Diário da
Bahia. Durante algum tempo escreveu com o pseudônimo de
Stela Maria. Era um exemplo de amor aos livros, lia muito e
sempre. Ao escrever, como em tudo que fazia, era ela autêntica,
criativa, sensível. Fosse o que fosse, dedicatória
num livro, crônicas ou cartas ela escrevia como falava,
com entusiasmo, sinceridade e coragem. Até mesmo nos
livros técnicos, sendo a criança seu constante
objetivo, usava linguagem clara, acessível, no intuito
de ajudar na organização de bibliotecas infantis
- sua grande meta.
Sugestões para Organização de uma Pequena
Biblioteca Infantil (1960), Monteiro Lobato, pai de Emília
(1960), Bibliotecas na Bahia (1967), As Bibliotecas Infanto-Juvenis
de Hoje (1970) e A Biblioteca Escolar (1973) são alguns
títulos de suas obras. Entre os prêmios que recebeu
consta a medalha de honra ao mérito da Rádio Nacional
do RJ (1952). Nesse mesmo ano recebeu a medalha A Bahia te Agradece,
na Rádio Sociedade da Bahia. Mais tarde, em 1961 recebeu
o prêmio Paula Brito de a bibliotecária do ano,
da Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro. E em 1973, foi homenageada
pelo 7º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, em Belém
do Pará. Adoentada, recolheu-se ao Hospital Português,
onde veio a falecer na manhã do dia 19 de abril de 1974.
Um sensível desfalque no magistério baiano. A
sua morte é muito sentida pelo largo círculo de
suas relações, mas sobretudo, pelas crianças
a que se dedicou com extrema devoção. Denise Tavares
era professora do Estado e da Universidade Federal, técnica
federal de Educação e bibliotecária. Foi
diretora da BIML até seu último dia de vida.
Autor: Gutemberg