Nasceu em Santo Amaro da Purificação
(Ba), em 07 de dezembro de 1904. Casou-se com Ana de Sena Franco
Passos, teve dois filhos e foi avô de nove netos. Formou-se
em Direito precisamente no dia 07 de dezembro de 1932, pela
Universidade da Bahia. O criminalista foi um dos fundadores
da faculdade de Direito da universidade Católica do Salvador
onde ensinou Direito Penal, na condição de professor
- titular. Advogado criminalista foi secretário do interior,
da Justiça e da Educação, atuou junto a
sindicatos baianos desempenhando uma intensa atividade no sindicato
dos bancários e dos empregados da estiva, no movimento
político destacou-se pela participação
na criação do Partido Trabalhista Baiano, participou
das campanhas políticas de Lauro de Freitas, Regis Pacheco
e Pedro Calmon e do movimento nacional pelo retorno de Getúlio
Vargas. Também ajudou os primeiros passos da Justiça
do Trabalho no estado, foi vice-presidente do Sindicato dos
advogados e como criminalista trabalhou com Edgar Mata, Evandro
Lins e Sobral Pinto. Além disso, teve sua vida ligada
aos esportes, pois fundou a Associação Desportiva
Guarani e por várias vezes foi dirigente da Federação
Baiana de Futebol. Presidiu o Conselho Penitenciário
e enquanto criminalista salientou que o Código Penal
Brasileiro vigente na época preocupava-se mais com “o
beneficio do delinqüente e isto podia redundar o surgimento
da vingança privada”, todavia argumentou que não
se devia confundir o homem que comete o delito acidentalmente
com aquele que já segue na escalada do crime, pois segundo
o professor Dorival Passos o tratamento tinha que ser diverso.
O professor Dorival Passos foi um homem de visão, preocupou-se
com fatores sociais, e atribuía ao fator econômico
uma das causas de violência urbana que ele considerava
um problema muito complexo, também relacionou outro item
não menos importante: a degradação da família.
Para ele era preciso dar atenção à criança
para evitar que os menores seguissem o caminho da marginalidade,
e defendia a repressão sem violência, “respeitada
a condição humana do preso”, ressaltava
a validade do surgimento de creches e lembrava a necessidade
das pessoas se conscientizarem de que “a responsabilidade
pelo erro do menor vem do maior”. Foi um homem critico
e salientou que o poder Judiciário enfrentava problemas
de fundo econômico, pois na visão do criminalista
“o juiz tem necessidade de ganhar bem porque ele precisa
estudar e trabalhar para distribuição de uma justiça
perfeita ou próxima da perfeição”.
E isto requer tranqüilidade econômica. Também
criticou o sistema de sua época de professor referente
ao número excessivo de alunos, enfatizando que o número
menor de alunos tornava mais fácil a aproximação
entre o professor e o estudante na sala de aula contribuindo
para um rendimento mais satisfatório. Vale ressaltar,
que o Professor Dorival Passos preocupou-se com o Sistema Educacional,
pois evidenciava que os problemas vividos pelas instituições
educacionais são resultados das dificuldades geradas
pela “crise econômica que sempre atingiu o país
em todos os setores”. Ele achava que os professores tinham
o interesse em ensinar e os alunos em aprender, existindo porém
a escassez de recursos impedindo a melhoria e o aperfeiçoamento
do ensino. O professor e criminalista Dorival Guimarães
Passos dedicou-se ao ensino e a defesa do primado do Direito
durante meio século. Ao completar 80 anos afirmou-se
“Valeu a pena viver todos esses anos porque trabalhei,
lutei, tirei muita gente da agonia do desespero embora à
profissão não servisse para me enriquecer”.
Autor: Fernando Paixão